Nem tudo é USD: como montar uma estratégia multimoeda

Durante muito tempo, a maioria das equipes de tesouraria que trabalham com cripto se apoiou quase exclusivamente em stablecoins em USD. Elas são líquidas, amplamente aceitas e fáceis de operar. Mas à medida que a atividade transfronteiriça se torna mais regional, especialmente na América Latina, esse esquema exclusivamente em dólar começa a mostrar seus limites.

Passar a uma estratégia de stablecoins multimoeda não significa substituir o dólar. Significa saber quando faz sentido usar moedas locais no lugar dele. Na prática, isso implica tomar uma série de decisões operacionais: quais fluxos otimizar, onde a liquidez realmente existe e como lidar com o lado regulatório e de infraestrutura.

Quais corredores priorizar 

O primeiro passo é decidir quais corredores vale a pena priorizar. Nem todos os fluxos se beneficiam igualmente de liquidar em moeda local. Na maioria dos casos, os maiores ganhos vêm de transações frequentes e de menor valor: mover fundos entre subsidiárias ou pagar fornecedores locais de forma recorrente. É aí que a economia em FX se acumula ao longo do tempo. As transações grandes e pontuais são outra história; dependem mais do timing e da liquidez disponível.

Onde está a liquidez, de verdade 

Depois vem o acesso à liquidez. As stablecoins em USD são profundas e globais. As de moeda local não são, pelo menos ainda. A liquidez tende a estar mais fragmentada, então é importante entender onde ela realmente está: em quais OTCs, em quais exchanges, com quais provedores. Igualmente importante é conhecer o spread real e executável no seu tamanho típico de operação. O que parece líquido na tela nem sempre se sustenta em escala.

O lado regulatório

Cada país trata as stablecoins de maneira diferente: às vezes como ativos digitais, às vezes mais próximas do dinheiro eletrônico, e às vezes sob marcos novos que ainda estão evoluindo. Brasil, Argentina e México avançaram bastante nos últimos tempos, mas os detalhes continuam importando. Eles afetam a contabilidade, o compliance e, em alguns casos, a exposição tributária. Por isso as equipes jurídicas e de compliance deveriam se envolver desde o início, e não entrar depois do fato consumado.

A parte operacional 

Trabalhar on-chain introduz requisitos novos: gerenciar wallets, resolver a custódia e conciliar transações de formas para as quais os sistemas de tesouraria tradicionais não foram desenhados. Algumas empresas preferem trabalhar com provedores que abstraem a maior parte disso. Outras escolhem construir capacidades internas com o tempo. Não existe uma única resposta certa, depende da escala, dos recursos e de quanto controle você quer ter, mas deve ser uma escolha deliberada.

Uma transição que já está em andamento 

O que estamos vendo na América Latina não é uma moda passageira. É uma virada em direção a uma infraestrutura que combina melhor com a forma como as empresas realmente movem dinheiro na região. Para as equipes dispostas a atravessar a implementação, os benefícios em custo, velocidade e flexibilidade são tangíveis.

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Na Ripio trabalhamos com empresas de toda a região que estão atravessando exatamente essa transição, de esquemas só em USD a estratégias multimoeda mais flexíveis. Foi para isso que construímos a wFIAT, nossa suíte de stablecoins de moeda local (wARS, wBRL, wMXN, wCOP, wCLP e wPEN), que permite liquidar pagamentos diretamente na moeda de cada mercado, sem o desvio pelo dólar. Se a sua equipe está começando a explorar esse caminho, o melhor ponto de partida são os seus próprios fluxos: onde os volumes se concentram e onde a fricção realmente está.

Perguntas frequentes

Quando vale a pena pagar com stablecoins em vez de transferências tradicionais?

Quando os pagamentos são frequentes, transfronteiriços e de valor baixo ou médio: fornecedores locais recorrentes, fundos entre subsidiárias, payouts regionais. Nesses casos, as stablecoins reduzem custos de FX, liquidam em minutos em vez de dias e operam 24 horas, sem depender de horários bancários nem de correspondentes.

Qual a vantagem das stablecoins de moeda local em relação às de USD?

Elas evitam a dupla conversão. Se o pagamento final é em reais ou pesos, usar uma stablecoin em USD implica converter duas vezes e pagar dois spreads. Uma stablecoin local como wBRL ou wARS liquida diretamente na moeda do pagamento, com menos fricção, menos custo e contabilidade mais simples.

O que são as stablecoins wFIAT? 

wFIAT é a suíte de stablecoins de moeda local da Ripio: (wARS, wBRL, wMXN, wCOP, wCLP e wPEN). Cada uma é lastreada 1:1 na sua moeda e permite que empresas e plataformas movam valor on-chain em seis mercados da América Latina sem passar pelo dólar.

Como começar uma estratégia de stablecoins multimoeda? 

Mapeando os próprios fluxos: em quais corredores o volume se concentra, onde está a fricção e quais pagamentos são recorrentes. Com isso definido, o próximo passo é escolher a infraestrutura: liquidez, custódia e trilhos locais, próprios ou através de um provedor como a Ripio.




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